NYSE avalia criação de novo mercado para PME

A NYSE está a ponderar a criação de uma Bolsa destinada a Pequenas e Médias Empresas (PME), à escala europeia, para facilitar o financiamento destas companhias.

A proposta, da autoria da Comissão de Planeamento Estratégico para PME da NYSE Euronext, visa a criação de uma ‘Bolsa das Empresas’, em Lisboa, Paris, Bruxelas e Amesterdão, com uma estrutura paralela às actuais praças do grupo nestes países e do mercado de PME Alternext, mas com menos custos de cotação em Bolsa e exigências regulatórias mais leves.

“A Comissão acredita, por unanimidade, que é necessária a criação de uma nova Bolsa, de dimensão suficientemente larga para ultrapassar os desafios e servir tanto empresas como accionistas”, disse Rogério Carapuça, Chairman da ‘small cap’ portuguesa Novabase e membro da referida comissão, num encontro com jornalistas, citado pela Reuters.

O responsável acrescentou: “uma bolsa construída para satisfazer as necessidades de financiamento das PME, oferecendo produtos e serviços concebidos à medida, atenta às necessidades das PMEs, oferecendo apoio personalizado e protegendo-as dos abusos do mercado financeiro”.

Esta bolsa seria o ponto de partida “para uma nova geração de bolsas pós-crise, desenhadas para reunir as necessidades financeiras do segmento da economia real e investimento de longo prazo, de todos os cantos da Europa”.

A comissão alertou que “para as PME líderes em inovação e criadoras de emprego, desde que a crise se instalou, os mercados financeiros tornaram-se mais fontes de incerteza e de custos adicionais e menos fontes de financiamento” e que, “se não houver acção, o futuro da economia e o emprego vindouro estarão em risco”.

Para que o novo mercado tenha “massa crítica”, a comissão propõe a transferência automática para o mesmo das empresas cotadas nas praças do grupo NYSE Euronext com ‘market cap’ inferior a 1.000 milhões de euros, incluindo as que integram o mercado alternativo Alternext.

No caso da NYSE Euronext Lisbon, esta passagem para a Bolsa das Empresas significaria o esvaziamento do actual mercado, uma vez que, com excepção da EDP, PT, Jerónimo Martins e Galp, todas as cotadas portuguesas têm uma capitalização inferior àquele montante.

Rogério Carapuça frisou, porém, que “não estão previstas alterações nos índices existentes” e que, “nesta transferência, serão tidos em conta os interesses das empresas e existirão provisões para o caso de recusarem passar para o novo mercado”.

O relatório final da comissão será divulgado a 17 de Setembro e a NYSE Euronext tomará depois a decisão sobre esta proposta, tendo em conta os interesses dos diferentes ‘players’, afirmou Luís Laginha de Sousa, Chief Executive Officer (CEO) da NYSE Euronext Lisbon.

“A Euronext vai ter em conta estas propostas e tomará uma decisão que garanta a criação de valor para todos os intervenientes”, disse o CEO da Bolsa portuguesa.

Fonte: Económico em 03/09/2012

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