Acções: Como investir no petróleo e no ouro português

Febre do ouro negro e do metal precioso regressou a Portugal. Conheça as acções que apostam nos recursos nacionais.

Ouro e petróleo são sinónimos de riqueza. E, numa altura em que o país atravessa uma das maiores crises económicas da história, há cada vez mais empresas a tentar encontrar petróleo e ouro em Portugal. Grande parte delas está cotada em bolsa, pelo que o investimento nestas empresas pode ajudar a ganhar exposição à prospecção de recursos no país. O risco destas aplicações é que não se consiga explorar petróleo ou extrair ouro, principalmente para os investidores expostos a empresas de prospecção que actuem maioritariamente a Portugal. O atractivo é conseguir um Euromilhões caso haja petróleo e se descubra mais ouro em Portugal.

O ministro da economia, Álvaro Santos Pereira, parece não ter dúvidas. Afirmou esta semana que Portugal pode ser o país europeu mais competitivo no sector mineiro. Quem quiser ganhar exposição ao ouro português pode consegui-lo através das acções das canadiana Colt Resources. Além de explorar o metal amarelo em Portugal procura produzir também volfrâmio e encontrar outros minérios.As maiores concessões da empresa são no Alentejo (ouro), em Tabuaço (volfrâmio), no norte do País, e em Penedono no distrito de Viseu (ouro). E é um exemplo de uma empresa que está quase 100% exposta a recursos em Portugal. Outra cotada que entrou na febre do ouro português foi a Northern Lion Gold, cujas acções negoceiam no Canadá e na Alemanha. Apesar de tentar explorar ouro em Moura, a maior parte dos projectos da empresa estão concentrados em Chipre.

Ainda do lado das empresas a operar minas em Portugal está a Lundin Mining, que tem acções cotadas na bolsa de Toronto e de Estocolmo. Detém as minas de Neves Corvo, que exploram cobre e zinco. Apesar da exposição a Portugal, a maior parte das explorações da empresa são fora de território nacional. Outra multinacional que também tem explorações em Portugal é a japonesa Sojitz Corporation, que explora o volfrâmio das minas da Panasqueira.

Os esforços para explorar estes minérios justificam-se num contexto em que as matérias-primas têm apreciado nos mercados. Nos últimos quatro anos, o ouro valorizou 131% e o preço do volfrâmio subiu 31%. Já o cobre e o zinco ganham 97% e 73%, respectivamente.

Mas não é apenas a febre de minérios que faz mover as empresas na tentativa de rentabilizar os recursos naturais nacionais. Nos últimos anos tem-se assistido também à corrida por petróleo. Além das gigantes Galp, Repsol e Petrobras, há também empresas de menor dimensão a procurar ouro negro em Portugal. Um dos exemplos é a Porto Energy, empresa canadiana que tem como único negócio encontrar e, caso consiga, extrair, petróleo e gás natural no litoral português.

De referir que, nas empresas de menor dimensão e com uma carteira de projectos menos diversificada, os resultados financeiros são negativos, devido aos elevados investimentos iniciais na prospecção das matérias-primas. Nos últimos cinco anos, o petróleo valoriza 82%.
Algumas empresas que apostam nos recursos naturais portugueses

Porto Energy
A empresa canadiana tem como principais projectos a exploração de petróleo e gás natural em Potugal.Está integrada em alguns consórcios. A cotada teve como um dos maiores accionistas George Soros, que entretanto se desfez da posição que detinha na Porto Energy. Teve prejuízos de 23 milhões de euros nos últimos quatro trimestres e as acções perdem 58% em 2012. Dos três analistas que seguem a acção, dois têm recomendação de manter e um de vender.

Colt Resources
Os principais projectos da empresa cotada na bolsa do Canadá e da Alemanha são em minas de ouro e de volfrâmio em Portugal. A Colt teve um prejuízos de seis milhões de euros nos últimos quatro trimestres e as acções descem 8,65% desde o início do ano. Apesar disso, o único analista que acompanha o título tem recomendação de comprar, segundo dados da Bloomberg.

Northern Lion Gold
A empresa cotada na bolsa canadiana tem projectos em Portugal e em Chipre. Perde 61% na bolsa de Toronto desde o início do ano e também está cotada no mercado alemão. As contas da empresa não ajudaram ao desempenho bolsista da empresa que procura metais preciosos em Moura, já que, nos últimos 12 meses, a Northern Lion Gold acumula prejuízos de 5,65 milhões de euros.

Lundin Mining
A Lundin Mining Corporation explora minas nos quatro cantos do mundo. Em Portugal é dona da mina de Neves-Corvo. A operação portuguesa deu lucro no último trimestre e a empresa, que está cotada nas bolsas canadiana, alemã e sueca, acumula um resultado líquido positivo de 141 milhões de euros nos últimos quatro trimestres. Os bons resultados leva a que 68% dos analistas que acompanha a evolução da empresa tenham uma recomendação positiva para os títulos.

Sojitz Corporation
A empresa japonesa também tem operações mineiras espalhadas pelo mundo.Em Portugal, comprou a concessão das Minas da Panasqueria, que exploram volfrâmio. A Sojitz Corporation tem prejuízos de 107 milhões de euros no acumulado dos últimos quatro trimestres e os analistas estão em modo de esperar para ver nas recomendações para as acções da cotada na bolsa japonesa. Todas as casas de investimento que acompanham as acções têm uma recomendação de manter, segundo dados da Bloomberg.

Galp
O atractivo das acções da Galp são, segundo a maior parte dos analistas, as operações de exploração de petróleo e gás no Brasil e em África. Mas a petrolífera portuguesa também está activa na exploração de ouro negro em Portugal. Três quartos dos analistas que acompanham a empresa têm recomendação positiva para as acções, que sobem 5,54% desde o início do ano. Nos últimos quatro trimestres, a empresa teve lucros de 378 milhões de euros segundo a Bloomberg.

Trabalho publicado na edição de 9 de Novembro de 2012 do Diário Económico

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